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Mostrando postagens de Abril, 2019

Novos congressistas têm dificuldades para redigir corretamente as leis

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Para quem não sabe, existe uma lei (a Lei Complementar 95/1998 ) que traz regras para a elaboração e a alteração de outras leis em nosso país. Em tese, todos os congressistas deveriam conhecer seu teor para respeitá-lo ao elaborarem leis. Mas não parece ser o caso dos novos deputados e senadores, cuja legislatura iniciou-se em fevereiro de 2019. Até o momento (27/04/2019), foram aprovadas 10 leis pelo Congresso Nacional. A primeira lei aprovada pela nova legislatura foi a 13.809/19 , que convertia em lei a Medida Provisória 853/18. E ela já continha um grave erro de redação em seu art. 1°: Fica reaberto até 29 de março de 2019 o prazo para opção pelo regime de previdência complementar de que trata o § 7º do art. 3º da Lei nº 12.618, de 30 de abril de 2012 . Perceba-se que tal artigo traz um comando, determinando uma reabertura de prazo, sendo, portanto, uma disposição normativa. Todavia, conforme a  Lei Complementar 95/1998 , a lei deve ser dividida em três partes: I - parte p

Quem vigia o vigilante? Cabe a quem dar limites aos ministros do STF?

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Senhoras e senhores, bem-vindos à República das Bananas. Após uma sequência avassaladora de decisões e reações que geraram  profunda insegurança jurídica, não há termo mais adequado para identificar nossa atual conjuntura. O Judiciário é o guardião da Constituição e deve fazê-la valer, em nome dos direitos fundamentais e dos valores e procedimentos democráticos, inclusive em face dos outros Poderes. Eventual atuação contra majoritária, nessas hipóteses, se dará a favor, e não contra a democracia. Entre as salas e os inúmeros corredores contidos nas dependências da Suprema Corte, está em curso  um mecanismo de investigação, denominado inquérito, instaurado pelo ministro Dias Toffoli e conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, que trabalha sem objeto determinado que, na prática, dá  liberdade a um ministro – já poderoso por natureza – para investir contra qualquer um a qualquer tempo. Pois bem, não é aceitável que esse inquérito avance sem respeito óbvio ao devido pr

A inconstitucional retroatividade do decreto 9727/19 que estabelece critérios para ocupação de cargos em comissão

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A governabilidade para o presidente Bolsonaro está tão complicada que até vigência de decreto tem sido motivo de conflito. Em 15 de março de 2019, Bolsonaro e sua equipe publicaram o decreto 9727 como um intuito bastante nobre: estabelecer critérios para nomeação de ocupantes de cargos comissionados no governo federal, os chamados cargos de confiança. Conforme estimativa do jornal O Globo ( Linha de corte nas nomeações , 19/3/2019), haveria cerca de 24 mil cargos comissionados atingidos pela norma, sendo mais de 3,5 mil não ocupados. O art. 2° estabelece critérios gerais para a ocupação dos cargos: idoneidade moral e reputação ilibada; perfil profissional ou formação acadêmica compatível com o cargo ou a função para o qual tenha sido indicado; e não enquadramento nas hipóteses de inelegibilidade previstas no inciso I do caput do art. 1º da Lei Complementar nº 64 , de 18 de maio de 1990. Os artigos seguintes estabelecem critérios específicos que mudam conforme a hierarquia