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A bolha progressista e a crueldade do capitalismo

 A bolha progressista, mesmo composta por grupos diferentes, converge em uma crença econômica: a de que o capitalismo é inevitável e pode organizar uma sociedade.

Enquanto a esquerda reformista considera que o Estado seja essencial para consumar essa organização, a direita democrática tende a demonizá-lo, preconizando seu afastamento do mercado e, até mesmo, das questões sociais.

Do lado da esquerda reformista aparecem os direitos sociais e os serviços públicos universais, enquanto a direita democrática preconiza a privatização e o focalismo. Entre elas, vários grupos intermediários defendendo níveis diferentes de intervencionismo.

Com o fortalecimento do neoliberalismo de esquerda, as diferenças diminuem e a convergência em torno do capitalismo aumenta. 

Essa bolha monopolizou os discursos públicos (político, científico e cultural) e governou países diversos no início do século XXI, estabelecendo seu momento de aparente prosperidade.

O desenvolvimento tecnológico, todavia, tornou a bolha obsoleta e incapaz de lidar com questões como o crescimento da miséria e o aumento da desigualdade. 

Suas respostas, sob o véu da democracia, não controlam mais a crueldade do capitalismo.


A Precarização no Brasil

Abaixo apresento o vídeo "Precarização no Brasil", dividido em cinco partes. Neles, procuro abordar, em um ritmo expositivo de aula, todos os aspectos envolvidos pelo tema.


Na primeira parte, intitulada "capitalismo e trabalho", trato genericamente da questão do trabalho no capitalismo. O objetivo é enfatizar que o trabalho e o trabalhador são inerentemente precários nas economias capitalistas.


Na segunda parte, "formação do Brasil", abordo a questão da precaridade como condição formativa de nossa sociedade. A partir de informações extraídas de fontes diversas como o clássico Caio Prado Júnior e a música Roda Viva, de Chico Buarque, reflito sobre persistência da precariedade em nosso país.


Na terceira parte, "Governo Lula e Lulismo", mostro a dialética da era petista em nossa sociedade. Por um lado, dados revelam uma melhoria nas condições de vida da população pobre, com aumento real dos salários e formalização das relações trabalhistas. Por outro, preso ao neoliberalismo, esses ganhos são efêmeros, fazendo surgir uma condição nova em relação ao capitalismo fordista: o empregado formal precário. 


Na quarta parte, "Crise e transição atual I", apresento a ideia de colapso do modelo de crescimento lulista, baseado na geração de vagas de baixa remuneração e na financeirização. Entre outras coisas, apresento dados que demonstram a crise do trabalho formal, o crescente endividamento da sociedade brasileira e o possível colapso do sistema econômico capitalista para o trabalhador.


Por fim, na quinta parte, "Crise e transição atual II", procuro mostrar que há um crescimento no nível de desigualdade no Brasil com a adoção do novo modelo de crescimento, baseado na espoliação de direitos. Termino mostrando que a precarização crescente de nossa sociedade associação com a vitória política de, ao menos, um segmento: o setor financeiro.


Indico que o vídeo aqui apresentado, em suas cinco partes, correspondem a resultados parciais de meus estudos sobre o neoliberalismo. Uma versão mais inicial desse trabalho foi apresentado em evento organizado pela UNISOCIESC, em Joinville, em outubro de 2018. Outra versão, bastante próxima do vídeo, foi apresentada em evento organizado pela USJT, em São Paulo, em maio de 2019.