Embora os pais do neoliberalismo tentassem dissociar suas posições do fascismo e do nazismo, admitiam o acerto de algumas das teses de Schmitt.
Nesse sentido, propunham um Estado:
- autoritário nas relações sociais para calar os trabalhadores e demais inimigos do mercado;
- ausente, ou "meramente" regulador, nas relações econômicas para defender os interesses dos grandes empresários ("livre iniciativa e concorrência").
Guardados os distanciamentos histórico e geográfico, o bolsonarismo é um novo passo desse movimento. Embora padecendo da falta de pessoas com a mesma inteligência dos pensadores neoliberais, articulou setores da sociedade brasileira em torno da perspectiva de um Estado forte contra os "inimigos" e ausente na economia (Lei da Liberdade Econômica).
O cerne da ligação entre bolsonarismo, neoliberalismo e nazismo está na perspectiva de que a economia de mercado é equilibrada e promove a prosperidade social, não devendo sofrer intervenções redistributivas pelo Estado.
Assim, ao não se admitir que a economia de mercado é a economia das crises e das tensões, por ser irracional, a perspectiva autoritária defende que as instabilidades decorrem de causas externas que precisam ser combatidas por um Estado forte.
O grande problema da sociedade, para essa perspectiva autoritária, não está na má distribuição das riquezas econômicas ou na gestão privada dos recursos, mas na política estatal, nas opiniões, nas crenças religiosas, nas sexualidades e nas etnias. Ou seja, se uma pessoa nasce miserável e morre de fome, não importa; mas se ela não corresponde a um estereótipo familiar, religioso e racial, isso incomoda.

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